Todo
fim de ano é a mesma coisa. É quando se pensa em tudo o que foi feito durante o
ano velho pra planejar o ano novo.
Há
os que fazem listas com tópicos que não acabam nunca com os temas mais variados
que vão desde namorado novo aos centímetros que se quer perder dentro de uma
data limite – que vai até o próximo novo ano-. É clichê, e o ser humano às
vezes se apega a essas coisas.
Há os que mudam radicalmente o visual, como se
a mudança do cabelo mudasse a personalidade, a vida ou até o nome.
Há
também os que acreditam ser o fim do mundo e fazem juras e declarações ao amor
secreto achando que os minutos que precedem a virada são os últimos e sagrados
momentos com o amado.
Como
já se diz: tem louco pra tudo neste mundo!
No
famoso balanço que se faz do ano percebe-se que muita coisa boa foi feita, mas
também muita burrada deve ser melhorada, ou então, de nada serve ter mais um
ano pra recomeçar, não é mesmo?
Percebe-se
que muita coisa deu certo. Muitas gargalhadas foram dadas, viagens feitas, amantes encontraram a metade
da laranja, árvores foram plantadas, livros foram lidos e crianças vieram ao
mundo! Para equilibrar tudo isso, algumas lágrimas tiveram que rolar,
casamentos foram desfeitos, empregos mandados para o espaço e certas pessoas se
foram pra sempre. Mas a vida é mesmo assim. Se tudo fosse perfeito não teria
sentido nenhum viver, e até mesmo as listas de realizações para o Ano Novo não
teriam um por quê.
O
bom mesmo de todo o blábláblá de fim de ano é a ideia de um ciclo se fechando e
outro brotando, é até um certo conforto pensar que coisas podem ser deixadas no
passado, por vezes até como se elas nunca tivessem existido. É confortante
e revigorante. O ano que passou vai
embora com o vento levando todas as coisas que devem ser esquecidas e uma
enorme esperança surge com o nascer de um novo ano. A palavra réveillon é um neologismo abrasileirado
que vem do verbo (se) réveiller do francês, que significa
acordar, despertar. O Réveillon deve ser visto então como o despertar para uma
nova vida. Acordar para o novo, pra novas ideias.
O
mundo está desesperado na busca por mais amor, mais afeto , abraços sinceros e
menos leilões de virgindade na internet que rendem milhões enquanto muita gente
ainda morre de fome e meninas índias trocam a virgindade por comida no Amazonas.
Não se pode salvar o mundo sozinho, mas um monte de gente lutando já resolve, e
muito, a situação de bastante gente. Com coisas simples e que estão perdidas há
muito tempo pode-se fazer tanto! Um pouco mais de atenção, um minuto do tempo
para ouvir uma criança de rua contar que escreveu uma carta ao papai noel, ou elogiar
um artista do semáforo por sua arte. São coisas tão rápidas e tão pequenas que
podem fazer uma diferença enorme na vida de quem recebeu. Um sorriso
pode sim mudar o dia de alguém. Assim como um bom dia, uma abraço, uma
moeda, um prato de comida.
O
ano novo, pra ser novo mesmo, depende muito mais de nós mesmos do que a gente
imagina.
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