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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CRÔNICA DE FIM DE ANO

Todo fim de ano é a mesma coisa. É quando se pensa em tudo o que foi feito durante o ano velho pra planejar o ano novo.
Há os que fazem listas com tópicos que não acabam nunca com os temas mais variados que vão desde namorado novo aos centímetros que se quer perder dentro de uma data limite – que vai até o próximo novo ano-. É clichê, e o ser humano às vezes se apega a essas coisas.
 Há os que mudam radicalmente o visual, como se a mudança do cabelo mudasse a personalidade, a vida ou até o nome.
Há também os que acreditam ser o fim do mundo e fazem juras e declarações ao amor secreto achando que os minutos que precedem a virada são os últimos e sagrados momentos com o amado.
Como já se diz: tem louco pra tudo neste mundo!
No famoso balanço que se faz do ano percebe-se que muita coisa boa foi feita, mas também muita burrada deve ser melhorada, ou então, de nada serve ter mais um ano pra recomeçar, não é mesmo?
Percebe-se que muita coisa deu certo. Muitas gargalhadas foram dadas,  viagens feitas, amantes encontraram a metade da laranja, árvores foram plantadas, livros foram lidos e crianças vieram ao mundo! Para equilibrar tudo isso, algumas lágrimas tiveram que rolar, casamentos foram desfeitos, empregos mandados para o espaço e certas pessoas se foram pra sempre. Mas a vida é mesmo assim. Se tudo fosse perfeito não teria sentido nenhum viver, e até mesmo as listas de realizações para o Ano Novo não teriam um por quê.
O bom mesmo de todo o blábláblá de fim de ano é a ideia de um ciclo se fechando e outro brotando, é até um certo conforto pensar que coisas podem ser deixadas no passado, por vezes até como se elas nunca tivessem existido. É confortante e  revigorante. O ano que passou vai embora com o vento levando todas as coisas que devem ser esquecidas e uma enorme esperança surge com o nascer de um novo ano. A palavra réveillon é um neologismo abrasileirado que vem do verbo (se) réveiller do francês, que significa acordar, despertar. O Réveillon deve ser visto então como o despertar para uma nova vida. Acordar para o novo, pra novas ideias.
O mundo está desesperado na busca por mais amor, mais afeto , abraços sinceros e menos leilões de virgindade na internet que rendem milhões enquanto muita gente ainda morre de fome e meninas índias trocam a virgindade por comida no Amazonas. Não se pode salvar o mundo sozinho, mas um monte de gente lutando já resolve, e muito, a situação de bastante gente. Com coisas simples e que estão perdidas há muito tempo pode-se fazer tanto! Um pouco mais de atenção, um minuto do tempo para ouvir uma criança de rua contar que escreveu uma carta ao papai noel, ou elogiar um artista do semáforo por sua arte. São coisas tão rápidas e tão pequenas que podem fazer uma diferença enorme na vida de quem recebeu.  Um sorriso  pode sim mudar o dia de alguém. Assim como um bom dia, uma abraço, uma moeda, um prato de comida.
O ano novo, pra ser novo mesmo, depende muito mais de nós mesmos do que a gente imagina.


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